PROTISTAS

NEM PLANTAS NEM ANIMAIS
Texto de Steve Luke e outros

Existem quase 30 000 espécies diferentes de protozoários, microrganismos unicelulares que vivem sobretudo na água ou em líquidos aquosos. Abundantes em todo o mundo, podem andar à deriva nos seus ambientes líquidos, nadar activamente ou rastejar; alguns mantêm-se relativamente imóveis, enquanto outros vivem como parasitas em animais. Muitos são microscópicos, embora alguns dos maiores sejam visíveis a olho nu. Quanto à forma, os protozoários têm uma variedade incrível, desde a simples amiba semelhante a uma bolha até aos que estão equipados com estruturas complicadas para apanharem presas, para se alimentarem e para se deslocarem.

Entre os biólogos não existe um verdadeiro consenso quanto ao que define um protozoário. Estes organismos são classificados num reino próprio - o dos Protista - porque diferem em certos aspectos tanto das bactérias como dos fungos, dos animais e das plantas. Têm uma organização mais complexa do que as bactérias, na medida em que possuem compartimentos distintos, tais como núcleos e mitocôndrias. No entanto, distinguem-se também das plantas, animais e fungos por serem unicelulares e não pluricelulares. Alguns deles assemelham-se a plantas, tendo a capacidade de realizar a fotossíntese, mas a maioria não tem essa capacidade, obtendo alimento pela absorção de detritos orgânicos ou de outros microrganismos.

O reino Protista não é um agrupamento «natural» - alguns protozoários podem estar mais intimamente relacionados com animais ou plantas do que com outros protozoários. Tem servido como nicho conveniente para arrumar os organismos unicelulares, que de outro modo são difíceis de classificar.

Os protozoários versáteis

Os tamanhos e formas reais dos protozoários são extraordinariamente diversos, o que demonstra que eles representam um pico na evolução unicelular. A conhecida amiba, que muda continuamente de forma, é um tipo de protozoário. Outros têm elementos semelhantes a andas contrácteis e outros ainda incluem os foraminíferos, que estão enfiados em conchas enroladas (testas, ou carapaças), muitas vezes impregnadas de carbonato de cálcio. Estas conchas calcárias descem para o fundo do oceano quando as células nelas contidas morrem, acabando por se tornar parte das rochas sedimentares.

Alguns protozoários ciliados (os que têm pequeníssimos «pêlos») têm uma «boca» e um «estômago» distintos por onde as bactérias, protozoários e algas são engolidos inteiros, enquanto os suctórios têm longos «tentáculos», por meio dos quais sugam o conteúdo das células que lhes servem de presa. Os protozoários não têm paredes de celulose rígidas, como as das células vegetais, embora os EugIena e seus parentes tenham uma fina camada de placas flexíveis de proteína mesmo por baixo da superfície do citoplasma. Muitos protozoários têm uma camada exterior protectora. Alguns radiolários e amibas, por exemplo, fabricam os seus próprios invólucros de grãos de areia ou outros detritos. Embora não possam normalmente viver fora de água, muitos protozoários conseguem sobreviver ao risco sazonal de um charco ou curso de água secar, elaborando um revestimento resistente, ou quisto, à sua volta e entrando num estado de letargia.

Os protozoários reproduzem-se em geral dividindo-se simplesmente em duas ou mais novas células.

Ocasionalmente podem ter uma reprodução sexuada, na qual duas células se fundem para formar uma célula maior, que então se divide noutras mais pequenas.

Agentes do bem e do mal

Os protozoários são responsáveis por várias doenças humanas, incluindo a malária e a doença do sono (tripanossomíase), e também por muitas doenças noutros animais, sobretudo no gado, peixes, caça e aves de capoeira. Contudo, os protozoários podem ser benéficos, e até essenciais, para alguns animais. Os ciliados fazem parte da vida microbiana da pança (divisão do estômago) de animais ruminantes como os bovinos, ajudando a digerir a enorme quantidade de celulose presente na dieta destes animais, que não a conseguem digerir por si próprios. Os protozoários são úteis ao homem em unidades de tratamento de esgotos, onde ajudam a remover bactérias durante o processamento.

in Luck S. e outros, 1995. O Grande Livro da Natureza. Círculo de Leitores. Lisboa.

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