PROTISTAS

AS "PLANTAS" AQUÁTICAS
Texto de Steve Luke e outros

Se deixarmos um recipiente com água límpida de um charco num parapeito de janela soalheiro, ela em breve ficará turva e verde. Podemos até ver aquela massa verde mexer, seguindo a luz à medida que o Sol se desloca. Esta massa é constituída por milhares de algas unicelulares, que estão a utilizar a luz solar para levar a cabo a fotossíntese. No entanto, nem todas as algas são tão pequenas e nem todas são verdes. Os microrganismos verdes contidos na água dos charcos parecem pouco ter em comum com as grandes algas vermelhas e castanhas das costas marítimas, mas todas são algas.

Pelo facto de realizarem a fotossíntese as algas são auto-suficientes e podem viver onde quer que haja luz, oxigénio e dióxido de carbono, água suficiente e alguns elementos essenciais. Tal como as plantas terrestres, as algas contêm o pigmento verde chamado clorofila, através do qual captam a energia da luz solar necessária à fotossíntese. Contudo, embora todas contenham clorofila, muitas contêm também outros pigmentos, que lhes dão uma cor vermelha, castanha ou dourada.


Algas com vários metros de comprimento

As algas marinhas castanhas, como a bodelha, a laminária e outras algas compridas, são as maiores e mais complicadas, crescendo, em certos casos, até atingirem muitos metros de comprimento. Tal como as plantas terrestres, são pluricelulares. Muitas têm um talo que termina num disco tipo raiz, que as agarra a rochas ou ao fundo do mar, e frondes semelhantes a folhas que realizam a fotossíntese. No entanto, no interior são muito mais simples do que quase todas as plantas terrestres. Não têm raízes especializadas na captação de água, nem tecidos internos, como o lenho, para transportar água e sais minerais por toda a planta.

As algas absorvem as substâncias de que necessitam através de grande parte da sua superfície. As algas verdadeiramente aquáticas retiram da água o dióxido de carbono de que necessitam para a fotossíntese e o oxigénio para a respiração. Assim, as algas pluricelulares, por exemplo as marinhas, têm de se desenvolver sob a forma de finas folhas com apenas algumas células de espessura, ou de lâminas achatadas, ou fios, de modo a que a água, o dióxido de carbono e outros nutrientes atinjam todas as suas células.

Só as grandes algas marinhas castanhas, como as que constituem o chamado kelp gigante, têm tecidos especializados, como o lenho das plantas terrestres, que transportam os produtos finais da fotossíntese das frondes, próximas da superfície do mar, para o talo e o disco, mal iluminados, muitos metros mais abaixo.

As mais complexas algas verdes de água doce são as carófitas, que crescem no fundo das lagoas, podendo atingir um metro de altura, com emaranhados de finos ramos secundários inseridos num caule delicado. Embora pareçam muito semelhantes às plantas «vulgares», os seus «caules» e «ramos» são, na verdade, constituídos por grandes células individuais colocadas em fiadas topo a topo. As algas verdes também constituem o parceiro fotossintético em alguns líquenes, uma associação simbiótica de algas ou bactérias fotossintetizadoras e de fungos.

Têm-se encontrado algas unicelulares fossilizadas em rochas com quase mil milhões de anos de idade.

A partir das suas origens marítimas, as algas foram particularmente bem sucedidas no seu avanço para outras áreas e colonizaram as águas doces e os habitats terrestres húmidos.


Os pastos do mar

As algas mais importantes da cadeia alimentar são as algas microscópicas do plâncton. As algas unicelulares, como as diatomáceas, bem como os dinoflagelados, constituem grande parte do fitoplâncton, conjunto de bactérias fotossintetizadoras e algas microscópicas que andam à deriva pelos oceanos. As famosas «marés vermelhas» ao largo da costa norte-americana, que envenenam o peixe e os crustáceos, são provocadas por dinoflagelados. Em determinadas condições, sofrem uma explosão demográfica, produzindo uma «floração» de algas que torna o mar verrnelho.

Das algas retiram-se muitos produtos úteis, incluindo o ágar-ágar, substância gelatinosa onde se podem cultivar bactérias.

in Luck S. e outros, 1995. O Grande Livro da Natureza. Círculo de Leitores. Lisboa.

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