PROTISTAS
ALGAS PRODUZEM COMBUSTÍVEL VERDE DO FUTURO



A produção de hidrogénio para substituir a gasolina nos automóveis e fornecer energia igualmente não poluente para abastecimento eléctrico pode vir a ser uma realidade dentro de anos. Pelo menos é o que prevêem os cientistas que apresentaram os resultados de pesquisas nesse sentido, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Washington, Estados Unidos.

A natureza há muito que descobriu como produzir energia a partir da água e do sol. Nos últimos anos, vários grupos de cientistas têm desistido de trabalhar com tecnologias e maquinarias pesadas na procura de novas formas de produzir energia para trilhar caminhos mais simples. Um deles passa por uma espécie de algas verdes microscópicas, a Chlamydomonas reinhardtii, que dispõe de um "interruptor" especial que lhe permite fabricar hidrogénio utilizando a luz do sol e que um grupo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, aprendeu a ligar e desligar.

A microalga utiliza uma enzima chamada hidrogenase para dividir a água nos seus componentes: o hidrogénio e o oxigénio. O grupo, liderado por Tasios Melis, professor de microbiologia e biologia vegetal na Universidade da Califórnia, descobriu que estas microalgas, "que existem por todo o lado", como explica, "ligam" o interruptor para a produção de hidrogénio quando "passam fome", ou seja, quando lhes faltam alguns componentes minerais no meio.

"A produção de hidrogénio é uma alternativa de que dispõem para não morrerem", sublinha o coordenador do grupo. Em vez de utilizarem a luz do Sol para produzir hidratos de carbono a partir do dióxido de carbono ou da água, estas algas vulgares usam a hidrogenase para aceder à energia.

Normalmente, as plantas expelem o oxigénio como produto residual, mas num processo como este é o hidrogénio que é expelido pelas algas.

A equipa, segundo o seu próprio relato, cria primeiro as algas duma forma natural, deixando-as utilizar a luz do Sol para o processo de fotossíntese. "Depois fazêmo-las passar fome", conta Melis. São necessárias cerca de 20 horas para as microalgas ligarem o interruptor para a produção de hidrogénio.

Cinco dias depois, quando elas começam a comer as próprias proteínas, os cientistas deixam-nas voltar ao processo de fotossíntese. E assim por diante. Os ciclos sucedem-se sem limitações, garantem os investigadores. O que significa que este método de produção de hidrogénio é virtualmente eterno.

in Diário de Notícias, 24 de Fevereiro de 2000

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