PROTISTAS
A MALÁRIA À LUZ DA GENÉTICA



O genoma do Anopheles gambiae, o mosquito que é o principal vector da malária, vai ser descodificado por uma rede internacional de organismos públicos e privados. O projecto deverá ter pronta uma primeira versão da sequência genética daquele organismo ainda antes do final do ano. Os resultados, segundo o Instituto Pasteur, serão disponibilizados em bases de dados públicas, acessíveis na Internet.

A rede internacional associa o Instituto Pasteur e o Centre National de Séquençage-Génoscope, em França, o European Molecular Biology Laboratory (EMBL), na Alemanha, a Universidade de Notre-Dame, a Celera Genomics e o Institute for Genomic Research, dos Estados Unidos da América, o Instituto de Biologia Molecular e Biotecnologia, da Grécia, a rede ONSA, do Brasil, e ainda especialistas do mosquito. O trabalho será financiado, em parte, por dois organismos das Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde e o PNUD, e pelo Governo francês.

A malária, também conhecida por paludismo, tem uma incidência anual de 300 milhões de casos a nível mundial e todos os anos é responsável por 1,5 milhões de mortes, afectando sobretudo as populações dos países em desenvolvimento, sem que haja uma vacina para prevenir a doença.

Três organismos intervêm no ciclo do paludismo: o parasita (o plasmodium), o hospedeiro (o ser humano) e o vector (o mosquito Anopheles gambiae). Com a sequenciação do genoma do mosquito, os investigadores passarão a dispor de informações dos genomas dos três organismos envolvidos nesta doença.

A sequenciação inicial dos 260 milhões de pares de bases que constituem o genoma do mosquito será realizada pela empresa americana Celera Genomics, que no último ano se destacou neste tipo de trabalho, nomeadamente, na sequenciação do genoma humano, e pelo centro francês Génoscope.

in Diário de Notícias, 07 de Março de 2001

© CienTIC - José Salsa, 2003 - optimizado para 1024 x 768