|
PROCARIONTES
|
|
VIDA OCULTA Texto Luke S. e outros As formas de vida mais abundantes na Terra não são visíveis pelo homem a olho nu. As bactérias rodeiam-nos por toda a parte - crescem sobre e dentro de todos os outros seres vivos e também no solo, nos charcos, nos rios, lagos e oceanos, em fontes de água a ferver e nas escuras e frias profundezas do mar. Foram provavelmente as primeiras formas de vida deste planeta e sobreviverão talvez a tudo o resto. Algumas são letais para o homem, mas sem outras a vida não poderia continuar, pois decompõem matéria orgânica morta e reciclam elementos essenciais de que todas as plantas e animais necessitam. Todos os seres vivos são constituídos por células, podendo ser unicelulares, como as bactérias, os protozoários e algumas algas, ou pluricelulares, como as plantas e os animais. As bactérias e os seus parentes próximos são designados por procariontes, para denotar a sua estrutura interna simples e para os distinguir das plantas, animais e fungos mais complexos (eucariontes). Em tamanho, as bactérias podem ir desde menos de um milionésimo de metro até cerca de meio milímetro de comprimento. Surgem em variações de três formas básicas: esférica, alongada e espiralada. Embora as bactérias sejam exclusivamente unicelulares, algumas agregam-se em estruturas temporárias complexas. As bactérias multiplicam-se por simples divisão celular.
Para viver, todo o ser vivo necessita não só de uma fonte de energia mas também de uma fonte de átomos de carbono (base de todas as moléculas orgânicas) e de outros átomos essenciais, como o azoto, o fósforo, o hidrogénio e o oxigénio. As bactérias são muito mais versáteis do que as plantas e os animais no que se refere a substâncias que podem utilizar para estes fins. Para quase todos os compostos orgânicos, e até para a maioria dos pesticidas produzidos e produtos químicos industriais fabricados pelo homem, existe algures uma bactéria que o pode decompor e utilizá-lo como alimento. Nas cianobactérias existe um processo de fotossíntese muito semelhante ao das plantas verdes. Em contraste, as bactérias heterotróficas, como a Escherichia coli, residente habitual do intestino humano, precisam de substâncias orgânicas já prontas, que decompõem, extraindo energia e voltando a reunir as subunidades químicas sob a forma de um novo material de construção para as suas células. Algumas heterotróficas precisam de oxigénio para respirar, de um modo muito semelhante ao das células vegetais e animais. Outras utilizam a fermentação para decompor os seus nutrientes sem oxigénio.
As bactérias absorvem pequenas moléculas de nutrientes, como os açúcares, os aminoácidos e os ácidos gordos, directamente através da sua membrana celular. As moléculas maiores, como as das proteínas, amido, a celulose das paredes celulares das plantas, etc., são, em primeiro lugar, fraccionadas em compostos mais simples fora da célula. Este trabalho é feito pelas enzimas digestivas que são libertadas pela bactéria. O apodrecimento habitual da carne, da fruta e dos vegetais é muitas vezes devido à acção de bactérias. Outra característica das bactérias é a sua capacidade de fixarem o azoto atmosférico, extraindo azoto do ar e convertendo-o em compostos amoniacais, que as plantas podem utilizar. No entanto, o que as bactérias podem fazer naturalmente, os químicos só conseguem reproduzir a temperaturas e pressões extremamente elevadas.
Um factor-chave do êxito das bactérias é a sua capacidade de se reproduzirem rapidamente, propriedade que é utilizada em todo o seu potencial na engenharia genética comercial. Em condições favoráveis, a E. coli pode duplicar-se de 30 em 30 minutos. Num dia, uma única célula pode, teoricamente, dar origem a mais de oito milhões de novas células. Contudo, no mundo real as bactérias não tomaram o poder devido a vários predadores naturais - como os protozoários -, que reduzem o seu número em biliões por dia, e porque o seu crescimento é limitado pelo alimento e espaço disponíveis. in Luck S. e outros, 1995. O Grande Livro da Natureza. Círculo de Leitores. Lisboa. |
||||||
|
|
© CienTIC - José Salsa, 2003 - optimizado para 1024 x 768 |