PROCARIONTES

BACTÉRIAS RESISTENTES A FÁRMACOS
Texto de Jonh Gribbin

Até alguns cientistas, que não se especializaram em biologia, por vezes não conseguem compreender como funciona a evolução. Os químicos que inventaram novos pesticidas parecem ter ficado espantados, quando verificaram que os insectos desenvolviam resistências aos pesticidas e, recentemente, têm circulado muitas histórias espantosas sobre "superbacilos", bactérias resistentes à penicilina e a outros fármacos que costumavam ser altamente eficazes contra o mesmo tipo de bactérias. Para um biólogo, no entanto, isto é apenas um exemplo do funcionamento da evolução.

Quando se utiliza um fármaco para tratar uma determinada doença, ele mata todas as bactérias susceptíveis a esse fármaco e o doente recupera. Mas, por definição, se algumas bactérias sobreviverem ao fármaco, serão precisamente as mais resistentes a esse fármaco. Quanto mais bactérias susceptíveis forem mortas, mais oportunidades têm as bactérias resistentes de se reproduzirem e transmitirem as características genéticas que as tornam resistentes ao fármaco. As bactérias reproduzem-se muito mais rapidamente do que os seres humanos, pelo que não é surpreendente para um biólogo evolucionista que, numa questão de anos ou décadas, todas as bactérias que causam aquela doença particular tenham desenvolvido resistência àquele fármaco particular.

É por isso que, agora, os médicos sabem que não devem prescrever antibióticos, a menos que sejam realmente necessários, a fim de retardar tanto quanto possível a evolução inevitável de micróbios resistentes. E é também por isso que determinado tratamento deve ser levado até ao fim, mesmo que o indivíduo comece a sentir-se melhor, a fim de acabar com quaisquer bactérias remanescentes, parcialmente resistentes ao seu sistema.

No entanto, há uma deliciosa ironia nesta história. Os fazendeiros de algodão no sul dos Estados Unidos, onde a resistência às ideias de Darwin atingiu o ponto mais alto, lutam todos os anos com as consequências dos efeitos da evolução nos seus próprios campos, onde as pragas de insectos são cada vez mais indiferentes aos pesticidas tradicionais.

in Gribbin, J. 1999. O Pequeno Livro da Ciência. Editorial Bizâncio. Lisboa.

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