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PROCARIONTES
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VIDA UNICELULAR Texto de Jonh Gribbin As pessoas gostam de pensar que são a forma de vida mais bem sucedida da Terra, o resultado de biliões de anos de evolução por selecção natural, que aperfeiçoa sempre os indivíduos sobre os quais opera. Isto é errado. A evolução não visa aperfeiçoar seja o que for, visa produzir muitos descendentes que transportem cópias dos seus genes para as gerações futuras. Com este critério, as formas de vida mais bem sucedidas na Terra são as formas de vida unicelulares, microorganismos que andam pelo mundo há biliões de anos, sem ter tido de alterar a sua forma básica. Em cada estádio da evolução, as espécies bem sucedidas adaptam-se soberbamente aos seus nichos ecológicos e mantêm-se sem alterações. Nós somos descendentes de um longo processo de defeitos e rejeições evolutivas, os indivíduos que foram menos bem sucedidos nesses nichos particulares e tiveram de ocupar outros. Veja-se a transição do mar para a terra. Os peixes mais bem sucedidos mantiveram-se como peixes - não havia pressão para se moverem para a terra. Foram os peixes menos bem sucedidos, que foram obrigados a deslocar-se para os baixios, que encontraram uma nova forma de vida tornando-se anfíbios. Em seguida, os anfíbios menos bem sucedidos foram expulsos da água e tiveram de se transformar em répteis, e assim sucessivamente. Entretanto, as bactérias simples estavam a fazer o que sempre tinham feito - sobreviver, reproduzindo-se e enchendo abundantemente todos os nichos disponíveis. Parentes próximos das primeiras bactérias, organismos com uma única célula que não têm sequer um núcleo central onde armazenar o ADN, são os organismos mais abundantes e mais espalhados na Terra. Apesar da forma como os organismos unicelulares se reproduzem, por simples fissão produzindo duas células filhas que são idênticas à mãe, não é realmente verdade dizer que hoje as células à nossa volta são descendentes da bactéria original. Num certo sentido, algumas das bactérias individuais que vivem hoje na Terra são as mesmas células individuais que tem estado aqui há vários biliões de anos. in Gribbin, J. 1999. O Pequeno Livro da Ciência. Editorial Bizâncio. Lisboa. |
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