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PROCARIONTES
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| PORTUGUESES COM RESISTÊNCIAS A ANTIBIÓTICOS |
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Portugal, tal como outros países do Sul da Europa, tem uma percentagem de resistência a antibióticos superior aos países do Norte europeu, o que resulta de uma "prescrição indevida e não racionalizada" destes medicamentos. Conforme salientou à Agência Lusa a responsável pelo serviço de microbiologia do Hospital de Santa Cruz, Maria Teresa Marques, ainda que a resistência a antibióticos surja associada a "múltiplas causas", a "pouca sensibilidade dos médicos" para esta questão é uma das principais, podendo vir a pôr em causa a eficácia do arsenal terapêutico disponível no que toca ao tratamento de infecções. Este problema, que começou por se localizar no âmbito hospitalar, mas é já sentido na sociedade em geral, bem como as suas causas e eventuais consequências, é objecto de um colóquio que hoje decorre na Academia das Ciências de Lisboa, com a participação de diversos especialistas. Entre os factores que mais condicionam o desenvolvimento de resistências, Maria Teresa Marques aponta a ausência de políticas de prescrição de antibióticos, tanto em profilaxia como em terapêutica dirigida a infecções, e a não existência de medidas "rígidas" de controlo de infecções em meio hospitalar. Se para o primeiro aspecto a especialista em microbiologia avança como justificação a hipótese de muitos clínicos poderem "não estar suficientemente informados sobre a questão" - e como estão "habituados a receitar um determinado antibiótico, com bons resultados, pensam pouco nos efeitos que este comportamento pode ter na comunidade" - , já a ausência de medidas de controlo de infecção merece uma leitura mais crítica. "Portugal não tem regras nenhumas nessa matéria e, embora alguns hospitais criem as suas, estas ou não são cumpridas ou são "furadas" com frequência", acusa Maria Teresa Marques. E, "embora alguns hospitais tentem detectar doentes portadores de estirpes multi-resistentes", há uma "menor rigidez de comportamento do pessoal de saúde em geral", acrescenta. Ainda assim, Maria Teresa Marques manifesta-se "optimista" em relação à alteração de hábitos e comportamentos dos profissionais de saúde nacionais, afirmando mesmo que, "neste momento, estamos numa fase de transformação", com cada vez mais responsáveis a demonstrarem interesse na matéria. in Diário de Notícias, 15 de Março de 2001 |
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