PROCARIONTES
SOBE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS



As multirresistências consituem um problema real no controlo das infecções bacterianas e estão a aumentar em todo o mundo. Um estudo americano indica que a proporção de estirpes da Streptococcus pneumoniae resistentes a pelo menos três classes de antibióticos passou de nove por cento em 1995 para 14 por cento em 1998.

No entanto, a vacinação e um controlo apropriado das prescrições apenas podem ser recomendados. Os autores do estudo advertem, porém, ter chegado a altura de alargar a vacinação entre as crianças, os idosos e doentes com sida.

As conclusões da pesquisa realizada nos Estados Unidos da América em 1998, sobre a resistência da pneumonia no país, foram publicadas no último número do New England Journal of Medicine.

De acordo com os resultados, 24 por cento das estirpes isoladas eram, na altura, resistentes à penicilina e esta proporção tinha maior incidência em certos Estados americanos entre crianças com menos de cinco anos e sobretudo na população branca. Por outro lado, as resistências a outros antibióticos eram mais frequentes nas estirpes resistentes à penicilina.

Este fenómeno é não só corrente como está a aumentar nos EUA. Assim, entre as estirpes do Streptococcus pneumoniae isoladas em 1998, 14 por cento eram resistentes à cefotaxime, 15 por cento à erythromycine, 16 por cento ao méropénème e 29 por cento ao trométhoprime - sulfamétoxazole.

Os autores acrescentam que um número limitado de serótipos é responsável pela maior parte das infecções pelas estirpes resistentes, o que constitui um incentivo à utilização das vacinas contra a pneumonia.

R. Wenzel e M. Edmond, da Universidade da Virgínia, sublinham no texto publicado no jornal científico, que cerca de 25 mil toneladas de antibióticos são administrados anualmente nos Estados Unidos, 50 por cento dos quais em doentes e o restante aplicado na agricultura e nos animais de criação. "Provavelmente, a maioria destas utilizações é desadequada às situações", advertem os autores.

De acordo com estes investigadores, a prescrição de antibióticos deve ser reavaliada e a vacinação contra as infecções de pneumococos deve ser recomendada pelo menos às crianças mais pequenas, às pessoas idosas e aos indivíduos infectados com o vírus da sida.

in Diário de Notícias, 2 de Janeiro de 2001

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