PROCARIONTES
O SURPREENDENTE DOMÍNIO ARQUEA



Todos podem distinguir entre a maioria dos seres vivos e não vivos.

Para Arstóteles era simples, existiam três reinos: o mineral, o animal e o vegetal facilmente reconhecíveis.

"Os seres vivos possuem várias características fundamentais que os distinguem dos seres não vivos. A sua organização é altamente complexa e específica para um determinado organismo. Eles metabolizam; o metabolismo é a totalidade das reacções químicas essenciais para a vida. Eles transformam energia de uma forma para outra e mantêm um equilíbrio dinâmico entre eles próprios, as suas necessidades, e o modo como se abastassem ou eliminam o que lhes é inútil. Os organismos são irritáveis, respondendo a estímulos externos e internos. Possuem a potencialidade de reprodução. Eles actuam reciprocamente sobre o ambiente de modos específicos. Eles alteram-se e adaptam-se aos ambientes em alteração. Eles morreram.

Embora todas essas características sejam comuns a todos os seres vivos, os biólogos sempre reconheceram que poderiam agrupar as diferentes espécies em agrupamentos hierárquicos. No século XVIII, o naturalista sueco Carl Linnaeus reconheceu dois grandes reinos; o animal e o vegetal, mas com o desenvolvimento da microscopia e das observações biológicas os reinos aumentaram para cinco: o Monera, que incluía as bactérias e as cianofíceas; o Protista que incluía todos os protozoários; o Fungi que abraçava todos os verdadeiros fungos; o Plantae (as plantas e variadas algas) e o Animalia, todos os animais multicelulares.

Penso que todos os alunos de Biologia ainda hoje assim dividem o reino vivo, mas a descoberta dos Arquea veio mudar tudo. São tão diferentes de tudo o resto que os cientistas tiveram de criar uma nova categoria taxonómica para eles.

Os Arquea há muitio que eram estudados e assemelhavam-se a bactérias, mas quando os biólogos moleculares analizaram o seu ADN tornou-se claro eram tão diferentes das bactérias quanto estas o são dos primitivos protozoários. Isto levou a que o biólogo Carl Woese sugerisse uma nova categiria para a vida, o "domínio" que era colocado acima dos reinos.

Neste esquema , os cinco reinos foram incluídos em três domínios, a nova classificação dos seres vivos que incluía: Arquea, Bacteria e Eucarya (com as plantas, animais, protistas e fungos).

O domínio Arquea inclui os mais estranhos seres que é possível encontrar na Terra e possívelmente no Universo. Muitos gostam do calor e vivam na mais completa independência da luz solar, em fontes quentes submarinas e a grandes profundidades, nos poros e fracturas das rochas.

Alguns produzem metano (o gás venenoso dos pântanos) e vivem na completa ausência de do oxigénio. Estas características fazem deles os primeiros candidatos para as primitivas formas de vida e, pela sua adaptação aos diferentes ambientes, talvez sejam os seres mais representativos do Universo. São de tal forma estranhos e fascinantes que voltaremos aqui a falar deles com base num maravilhosos livro que conta a descoberta deste outro domínio da vida (Howland, J. "The Surprising Archaea" Oxford University Press, Oxford, 2000).

in Jornal de Notícias, 25 de Maio de 2000

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