PROCARIONTES
BACTÉRIAS DESCONHECIDAS ENCONTRADAS NO PÓLO SUL



No Pólo Sul, um dos mais inóspitos lugares da Terra, também existe vida, uma descoberta que leva os cientistas a especular que o mesmo poderá ocorrer em ambientes muito desfavoráveis de outros planetas, como as calotas polares de Marte. As formas de vida aí encontradas são bactérias, mas o que mais surpreendeu os investigadores, segundo a revista New Scientist, foi não só o facto de pertencerem a espécies desconhecidas como serem capazes de se reproduzir.

Num estudo conduzido por Ed Carpenter, um microbiologista da Universidade de Nova Iorque, em Stony Brook, e colegas, as análises feitas a neve derretida do Pólo Sul revelaram uma surpreendente população de 200 a cinco mil bactérias por milímetro cúbico. Além disso, testes bioquímicos e o microscópio revelaram que esses organismos podiam desenvolver-se e multiplicar-se em temperaturas de -17ø centígrados, as mais frias que a equipa estudou. "Provavelmente, podem viver a temperaturas ainda mais baixas", disse Carpenter.

Embora anteriormente tivessem sido encontradas bactérias no Pólo Sul, os cientistas pensavam que teriam sido transportadas acidentalmente para a região. Ninguém imaginava que esses organismos pudessem desenvolver-se num ambiente em que as temperaturas oscilam entre -85ø e -13ø centígrados. A maior surpresa, no entanto, surgiu com os testes de ADN, que revelaram serem aquelas bactérias desconhecidas. As suas "parentes" mais próximas são as de um grupo chamado Deinococcus, que é conhecido pelo seu muito eficiente mecanismo de reparação de ADN. Não se sabia por que motivo as Deinococcus tinham evoluído com esse mecanismo, porque em nenhum local da Terra há radiação ultravioletasuficiente para causar tão elevados danos no ADN, mas a extrema secura pode também danificar o ADN e é isso precisamente que acontece no Antárctico. "No Pólo Sul, estes mecanismos fazem sentido", disse Carpenter.

Assim, se forem encontradas bactérias em Marte, a surpresa não será tão grande. "Quanto mais extremas são as condições que examinamos, mais bactérias capazes de sobreviverem aí encontramos", referiu Carpenter.

in Diário de Notícias, 10 de Novembro de 2000

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