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FUNGOS
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COGUMELOS E BOLORES Texto de Steve Luke e outros O queijo azul e a doença holandesa dos ulmeiros parecem, à primeira vista, ter muito pouco em comum. Contudo, ambos são, de facto, resultado da actividade de fungos. Os fungos têm tido uma enorme influência na história da humanidade - as suas fermentações dão-nos o pão, o vinho e a cerveja, bem como muitos antibióticos. Por outro lado, as infecções por fungos provocam a destruição das colheitas em todo o mundo. Os fungos desempenham um papel crucial no ciclo natural da vida. Ao decomporem substâncias animais e vegetais mortas, libertam nutrientes nelas contidos, que podem depois ser reciclados numa nova geração de vida vegetal e animal. Tradicionalmente considerados como plantas, os fungos são hoje, em geral, classificados pelos biólogos num reino próprio, por serem tão diferentes na estrutura, no modo como se desenvolvem e no modo como se alimentam. Ao contrário das plantas verdes, os fungos não conseguem utilizar a energia solar para produzir o seu próprio alimento. Alguns fungos apenas se alimentam de açúcares simples, utilizando-os como fontes de carbono, e obtêm o azoto de que necessitam sob a forma de nitratos inorgânicos ou de compostos de amónio. Outras espécies libertam moléculas presentes na matéria vegetal e animal morta transformando-as numa solução de nutrientes simples que podem então ser absorvidos. Outros ainda são parasitas, ou então simbiontes, obtendo o seu alimento de plantas e animais vivos.
Alguns fungos são unicelulares, ou constituídos apenas por algumas células, mas a maior parte desenvolve-se em finos filamentos (hifas) que se estendem e ramificam nas pontas, formando uma rede, ou micélio. Embora cada hifa apenas possa ser vista ao microscópio, os fofos micélios de vulgares bolores caseiros são uma visão comum. As hifas dos fungos simples - ou zigomicetes - não são mais do que tubos contínuos de matéria celular (citoplasma), contendo muitos núcleos, todos encerrados numa parede celular. Em contraste com isto, as hifas dos fungos mais complexos - os basidiomicetes e os ascomicetes - estão divididas em compartimentos separados por paredes que se cruzam e formam o tecido carnudo dos cogumelos, chapéus-de-cobra, ou trufas.
Todos os fungos se reproduzem por esporos. Um esporo é uma célula única, muitas vezes rodeada de um revestimento protector, a partir da qual se pode desenvolver um novo organismo. Alguns fungos simples produzem zoósporos, que parecem pequeníssimos espermatozóides e que são impulsionados por um ou dois flagelos. Os fungos que produzem zoósporos podem ser aquáticos, como os bolores da água, ou parasitas, vivendo dentro das células de plantas e libertando os seus zoósporos para a película de água que cobre a superfície das folhas, caules e raízes. Os vulgares bolores caseiros produzem simples recipientes com esporos (esporângios), que rebentam quando maduros, libertando uma nuvem de minúsculos esporos. Quando estes pousam num meio apropriado ao crescimento, germinam. De cada esporo emerge uma hifa que se transforma rapidamente num novo micélio. Grande parte dos fungos vulgares mais complexos são basidiomicetes - assim chamados porque produzem esporos externamente, em estruturas chamadas basídios. Os basídios, em forma de bastão, são levados por corpos globosos efémeros - os chapéus-de-cobra e os cogumelos -, que elevam os esporos acima da camada de húmus, auxiliando assim a sua dispersão pelas correntes de ar. A parte permanente dos fungos, que pode persistir durante anos, é o micélio, que se espalha frequentemente por muitos metros, no solo ou na madeira. Alguns basidiomicetes menos conhecidos, como as ferrugens e os carvões, provocam doenças em muitas culturas cerealíferas. As morchelas, as trufas e as leveduras pertencem a um terceiro grande grupo de fungos: o dos ascomicetes. Estes produzem esporos internamente, em cápsulas (ou ascos) que se formam quando duas hifas de «tipo sexual» diferente se juntam. Os núcleos das hifas mães fundem-se e dividem-se, dando origem a quatro ou oito esporos arrumados dentro do asco como ervilhas numa vagem. in Luck S. e outros, 1995. O Grande Livro da Natureza. Círculo de Leitores. Lisboa. |
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