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FUNGOS
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| CLONES DE CASTENHEIROS HIBRÍDOS RESISTEM À DOENÇA DA TINTA |
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Em 17 clones de castanheiros híbridos, produzidos numa estufa do Centro Nacional de Sementes Florestais (CENASEF), em Amarante, reside a possibilidade de uma solução para a erradicação da chamada doença da tinta, uma das principais pragas que tem dizimado a mata de castanheiro da região de Trás-os-Montes. Com pouco mais de um ano, esses clones - que são uma espécie híbrida fabricada pela mistura do castanheiro europeu e do asiático - foram submetidos a duros testes de resistência activa ao fungo "Phytophora Cinnamoni", responsável pela doença da tinta, e demonstraram ter uma resistência superior ao habitual à contaminação pelo fungo presente no solo. Os resultados da investigação levada a cabo pelo CENASEF, com a colaboração da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, foram ontem oficialmente apresentados em tom optimista, mas sempre com a ressalva de não serem definitivos, pois não houve ainda tempo para avaliar o comportamento destas árvores clonadas no que diz respeito à qualidade da madeira ou da produtividade e qualidade do fruto. Mas a mera observação empírica, associada à experiência de alguns agricultores que plantaram algumas espécies e estão a acompanhar o seu desenvolvimento, parece indiciar que "os outros parâmetros da árvore não sofram qualquer modificação", como explicou Vítor Louro, do CENASEF. O projecto remonta a 1992, altura em que se recuperou, identificou e estudou uma colecção de árvores existentes na Direcção-Geral de Florestas: castanheiros híbridos e ainda castanheiros retirados da mata que demonstravam uma grande resistência aos fungos. Numa primeira fase, o CENASEF procedeu ao enraizamento de estacas dessas árvores (os raminhos que saem da base do castanheiro, que são cortados e depois criam raízes), e em seguida plantou-os em condições muito agressivas, num terreno completamente infectado com o fungo. "Depois de passar essas provas, podemos dizer sem dúvidas que estes castanheiros são mais resistentes do que os outros", observa Vítor Louro. Os resultados tiveram uma primeira apresentação em 1997 (ver "Salvar os castanheiros", PÚBLICO de 23/7/1997). Na mesma sessão em que se apresentaram os resultados da investigação procedeu-se ainda à assinatura de um protocolo entre o Ministério da Agricultura e a Aliança Florestal, que ficará encarregada da multiplicação em escala desta experiência, disponibilizando posteriormente os clones ou as sementes das novas árvores aos produtores. O CENASEF continuará a sua investigação, mas controlará e certificará a origem e a qualidade do material produzido pelos viveiristas. in Diário de Notícias, 21 de Novembro de 2001 |
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