EVOLUCIONISMO

FÓSSEIS: A TESSITURA DE PROVAS
Texto de Philip Whitfield

Os fósseis de ossos e conchas, por vezes de animais completos, transformam a viagem no tempo em realidade. Ao olhá-los, podemos hoje «ver» o passado. A partir do momento em que se aceitou que essas «pedras esculpidas» eram realmente o que pareciam ser - os restos petrificados de criaturas pré-históricas tornou-se evidente o seu significado para a história da evolução. A Paleontologia, o estudo de fósseis, fornece respostas a muitas perguntas chave relativas à evolução.

A observação de fósseis evidencia, para lá de qualquer dúvida, que os animais que nadaram nos antigos mares e as plantas que compuseram as florestas pré-históricas eram diferentes dos de hoje. Os fósseis de organismos que já não habitam a Terra demonstram que algumas criaturas se extinguiram. Sequências de fósseis datadas cronologicamente, retiradas de camadas sucessivas de rocha, revelam padrões de modificação em grupos de seres vivos.

Um osso fóssil, um osso que foi transformado em pedra, é um dos tipos de fósseis mais familiares. Produzido por fossilização directa do esqueleto, é a reprodução positiva mineralizada de parte de um esqueleto vivo. Os ossos fossilizados de um dinossauro gigante, reunidos num museu, ajudam agora a obter uma impressão do tamanho e da aparência de um animal que chapinhou pelos terrenos pantanosos há 100 milhões de anos. Mas os ossos fossilizados são apenas um exemplo entre uma extraordinária diversidade de tipos de fósseis, a partir dos quais se pode reconstituir um inventário da vida antiga no nosso planeta.

Quanto mais rija e resistente aos choques e à putrefacção uma estrutura é, tantas mais são as probabilidades de ser preservada sob a forma de fóssil. Assim, fósseis muito comuns são os dentes dos vertebrados. Algumas criaturas invertebradas possuem conchas e outras coberturas exteriores resistentes em vez de ossos, e também essas protecções são frequentemente fossilizadas. Há uma grande quantidade de fósseis das conchas achatadas de moluscos bivalves, tais como mexilhões, ou do exosqueleto de diferentes tipos de equinodermes, como o ouriço-do-mar.

Desde que não seja distorcido pela pressão, o calor ou outras formas físicas que actuem sobre as rochas, um fóssil ósseo directo mantém em grande parte a forma do ser vivo (ou parte desse ser) a partir do qual se constituiu. Além disso, a rocha matriz, a rocha em que o fóssil directo está embebido, adquire frequentemente uma impressão negativa do fóssil positivo. Estas impressões negativas são muitas vezes tão úteis quanto o fóssil positivo, fornecendo pormenores sobre o aspecto exterior de um animal ou de uma planta.

Os fósseis podem apresentar outras formas. Os fósseis em âmbar de antigos insectos são particularmente magníficos, 0 âmbar é um nódulo de rocha transparente produzido pela petrificação de resina que ressuma das árvores, sobretudo coníferas. Insectos e outros pequenos animais, como as aranhas, ficam aprisionados na resina onde é notavelmente reduzida a decomposição que sofrem. Se o âmbar eventualmente fossiliza, ficam perfeitamente preservados.

As pistas fósseis não são constituídas por despojos de organismos, mas antes as formas preservadas de túneis, moldes de vermes, escavados ou rastos feitos por animais em sedimentos macios, que depois se transformaram em rocha. Vão desde os traços delicados, como de pernas de aranha, feitos pelo caranguejo que se desloca, até maciças pegadas de um dinossauro pisando poderosamente a lama fofa. Essas pistas fósseis revelam muito sobre a vida dos animais que lhes deram origem. Por exemplo, dos vestígios do dinossauro deduzimos a maneira de andar, o comprimento das passadas e a velocidade da criatura.

Quando as condições são excepcionalmente favoráveis à fossilização, tanto as partes moles do corpo como os ossos e as conchas podem fossilizar, produzindo por vezes um fac-símile notável do organismo original. Exemplos particularmente famosos são oriundos de Burgess Shale, depósito câmbrico na Colúmbia Britânica, no Canadá, e do calcário litográfico jurássico de Solenhofen, na Baviera alemã.

Em ambos os casos, os animais ficaram rapidamente sepultados em sedimentos de grão muito fino e em circunstâncias que interromperam a decomposição microbiana durante o tempo suficiente para assegurar uma preservação de alta fidelidade. Podem ver-se, inclusive, as pernas e antenas mais delicadas nalguns dos artrópodes de Burgess Shale, se bem que contem já com 500 milhões de anos. Nas penas do fóssil da primeira ave conhecida, o Archaeopteryx, proveniente de Solenhofen, são visíveis até as mais diminutas barbas.

in Whitefield, F. 1993. História Natural da Evolução

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