EVOLUCIONISMO

A RADIAÇÃO ADAPTATIVA
Texto de B. Gallavotti

Durante a história da vida, ocorreu frequentemente que os descendentes de pequenos grupos de organismos se diversificaram rapidamente, colonizando um grande número de ambientes e criando numerosas novas espécies. Isto ocorre quando alguns indivíduos se encontram de repente num ambiente com poucas espécies, ou poucos concorrentes. A selecção natural faz com que esses organismos ocupem todos os nichos ecológicos disponíveis, e a população originária divide-se em grupos com especializações diferentes. Com o tempo, cada um destes grupos pode tornar-se tão diferente da população originária que acaba por constituir uma nova espécie.
O exemplo mais famoso é dado pelas 14 espécies de tentilhão das ilhas Galápagos, descendentes de um antepassado comum que colonizou as ilhas quando estas emergiram do mar há cerca de 4 milhões de anos. Desde então, alguns tentilhões especializaram-se na captura de insectos e outros na recolha de sementes. Entre os primeiros, alguns estabeleceram-se à beira-mar e outros nas árvores. Entre os segundos, alguns desenvolveram bicos aptos para abrir as sementes maiores, enquanto outros preferiram as sementes mais pequenas. E assim por diante. Entre os fósseis, encontram-se numerosos testemunhos de radiações adaptativas. Há 300 milhões de anos, os primeiros répteis invadiram rapidamente todas as terras emersas. Mais tarde, com a extinção dos dinossáurios, foram deixados livres muitos habitais, que foram rapidamente ocupados graças à evolução de novas espécies de mamíferos. Entre estes, contam-se os antepassados dos actuais primatas, animais que viviam nas árvores e que, há 30 milhões de anos, começaram a diversificar-se rapidamente dando origem a numerosas espécies de hominídeos. Entre estas, só uma, o Homo sapiens, conseguiu sobreviver até hoje.

in Gallavotti, B. 1997. Segredos da Vida. DoGi. Itália.

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