EVOLUCIONISMO

COMO NASCE UMA ESPÉCIE
Texto de B. Gallavotti

O nascimento de uma espécie é um fenómeno que ocorreu muitas vezes desde que apareceu a vida. Calcula-se que a imensa variedade de organismos que conhecemos apenas constitui 1% de todas as espécies que viveram no nosso planeta no decurso da sua longa história. Uma nova espécie pode nascer de dois modos. Num dos casos, uma população inteira muda na totalidade, acumulando um grande número de variações até os seus membros se tornarem profundamente diferentes dos seus antepassados. Isto pode ocorrer quando o ambiente muda radicalmente e, para sobreviver, se torna necessário adquirir novas capacidades.
No segundo caso, mais frequente, uma parte da população diversifica-se da originária, acabando por constituir uma nova espécie. Para que tal aconteça, é necessário que obstáculos geográficos ou de comportamento impeçam alguns indivíduos de uma população de acasalar com outros membros da mesma população. Isto acontece, por exemplo, quando um grupo de indivíduos coloniza uma ilha, ou quando se modifica uma parte do ambiente originário da espécie. Também poderá bastar uma pequena alteração dos rituais de acasalamento para impedir uma parte da população de acasalar com a outra parte. Na ausência de acasalamento, ou seja, da contínua recombinação genética constituída pela reprodução sexual, duas populações da mesma espécie começam a acumular uma série de diferenças genéticas, podendo estas, com o tempo, tornar-se tão numerosas que deixa de ser possível o acasalamento e a geração de uma prole fértil, mesmo após a remoção do obstáculo. Quando isto acontece, nasce uma nova espécie.

in Gallavotti, B. 1997. Segredos da Vida. DoGi. Itália.

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