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EVOLUCIONISMO
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O CASO DAS SALAMANDRAS Texto de José Salsa Um caso clássico de especiação é o de uma salamandra da família dos pletodontídeos, a Ensatina eschscholtzi, uma espécie que habita canhões e florestas húmidas da Califórnia (EUA). Os pletodontídeos são o grupo mais bem sucedido das salamandras actuais e caracterizam-se pela total ausência de pulmões. Respiram, mais do que outros urodelos, pela pele e mucosas da boca. Encontram-se amplamente representados na América do Norte e Central. A distribuição da Ensatina eschscholtzi vai da Colômbia britânica, no Canadá, por Washington, Oregon, Califórnia até Baja Califórnia, no México. Presentemente, sete subespécies são reconhecidas, e todas ocorrem na Califórnia. As subespécies são E. e. eschscholtzi, xanthoptica, oregonensis, picta, platensis, croceater e klauberi.
Estas salamandras caracterizam-se pela considerável variação nos padrões de cor entre as diferentes subespécies. As populações de subespécies distribuem-se em anel em torno do grande vale central da Califórnia. Na sua distribuição geográfica, a E. e. eschscholtzi ocorre nas montanhas do litoral da Califórnia estendendo-se para norte até à zona da baía de Monterey, onde coabita com a E. e. xanthoptica, a população da subespécie seguinte. A população de E. e. xanthoptica concentra-se na zona da baía de San Francisco e, por sua vez, coabita com a E. e. oregonensis, perto de Santa Rosa, mais a norte. A E. e. oregonensis ocorre de Santa Rosa para norte, através do Oregon e de Washington, até à Colômbia britânica. Esta subespécie apresenta, ainda, zonas de coabitação com E. e. picta, no noroeste da Califórnia, e com E. e. platensis, próxima do leste de Lassen. A E. e. platensis é encontrada ao longo da serra Nevada, até ao sudeste das montanhas de Greenhorn, onde coabita com a população de E. e. croceater. Esta subespécie ocorre a sul, junto às montanhas de Tehachapi. Há um zona, mais a sul onde também ocorre a E. e. croceater. Aqui, na montanha de San Gorgonio, a leste de San Bernardino, coabita com outra subespécie, a E. e. klauberi. Ao sul, nas montanhas nordeste e leste de San Diego, concentra-se esta última subespécie. Um aspecto interessante na distribuição destas salamandras é o facto das populações de E. e. klauberi e E. e. eschscholtzi, localizadas mais a sul, estabelecerem contacto em diferentes pontos, sem hibridarem. Com efeito, a análise da separação electroforética de enzimas seleccionadas e a comparação de padrões de DNA destas duas subespécies aponta para que sejam duas espécies distintas, tendo em conta as diferentes dimensões do conceito de espécie. Este facto coloca um problema interessante - devem as populações de Ensatina eschscholtzi ser classificadas em duas ou mais espécies ou serem consideradas uma única espécie? Se a espécie deve ser subdividida onde fica a linha de separação? A pesquisa laboratorial, envolvendo a análise de enzimas, o DNA nuclear e o DNA mitocondrial, conduzida por cientistas americanos, mostra que se trata de uma espécie complexa estando em curso um processo de especiação para duas ou mais espécies. A diferenciação genética entre as populações já é muito significativa indicando que o processo está numa fase muito adiantada de especiação. Mas tal diferenciação, porque acontece de forma gradual na sequência geográfica das populações, dificulta a distinção clara de espécies. A complexidade biológica da Ensatina colide com uma visão taxonómica simplista. Exige-se, neste caso, a aplicação de conceitos taxonómicos que possam clarificar e destacar as relações evolutivas entre as diferentes populações. Enquanto estudos em curso, mais aprofundados, não forem conclusivos, o complexo de populações de Ensatina é reconhecido como uma única espécie taxonómica. Tudo indica que estamos perante um caso clássico de evolução darwinista por gradualismo; uma acumulação de micromutações e a sujeição a diferentes pressões selectivas, tendo em conta os diferentes enquadramentos geográficos das populações conduzem, com o passar do tempo, à formação de novas espécies. |
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Estas salamandras, com tamanhos entre 7 e 15 cm, apresentam grande variabilidade de cores e padrões. Todas possuem, no corpo pequeno, patas compridas e olhos proeminentes bem como uma cauda caracteristicamente constrangida na base, usada como arma de defesa. O macho, em regra, apresenta uma cauda mais comprida do que a fêmea. A salamandra ergue-a e agita-a, expelindo uma secreção incomodativa para os predadores. Se for atacada, pode soltá-la. De hábitos terrestres abriga-se sob pedras e troncos mortos donde sai para se alimentar de aranhas e insectos como escaravelhos e grilos.
A fêmea põe sete a vinte e cinco ovos na Primavera ou no princípio do Verão num buraco ou num tronco em decomposição, montando-lhes guarda enquanto estes se desenvolvem. As larvas são terrestres, não tendo vida aquática. Atingem a maturidade aos dois a três anos. |
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