EVOLUCIONISMO
EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES FOI DESCONTÍNUA


O conceito darwiniano que afirma existirem falhas no registo geológico - o que implica a existência de elos perdidos na cadeia evolutiva talvez tenha de ser revisto com os resultados das pesquisas realizadas no Instituto Wizmann, de Israel. Perfis de rochas sedimentares de várias partes do planeta foram submetidas a análises através de isótopos de carbono e os resultados desse trabalho - publicados na revista "New Earth" - reforçam a tese de que a evolução das espécies foi meramente episódica e não gradual, como Charles Darwin julgava.

O carbono, principal elemento da matéria viva, é envolvido num ciclo entre organismos vivos e ambiente, durante o qual a proporção de dois diferentes isótopos (carbono 12 e carbono 13) se modifica. Em períodos de intensa actividade biológica, o nível do carbono 13 aumenta no ambiente, ao passo que a concentração do carbono 12 decresce. 0 oposto ocorre quando a actividade biológica se torna menos intensa. Assim, analisando a fracção de carbono 13 em rochas sedimentares de diferentes períodos geológicos, Mordekai Magaritz, do Instituto Weizmann, conseguiu traçar as modificações ocorridas na biomassa - massa total dos organismos vivos - da Terra durante aqueles períodos.

Magaritz demonstra que a biomassa decai rapidamente em determinados períodos geológicos e aumenta em outros. Isso apoia o modelo de evolução denominado "equilíbrio pontualista", no qual os períodos de extinção generalizada são seguidos por outros de desenvolvimento acelerado.

A teoria de Darwin afirma que o desenvolvimento foi compassado e gradual, o que choca com a descoberta de mudanças drásticas na biomassa de uma era geológica para outra.

Como as rochas tendem a erodir-se, os paleontólogos (que estudam o desenvolvimento da fauna e da flora através dos fósseis) têm dificuldade de acompanhar os passos ou etapas evolutivas, uma vez que os registos são simplesmente incompletos. Para Magaritz, apenas cerca de 1% do total das espécies que viveram num dado intervalo - as que possuíam ossos, conchas ou esqueletos - foi preservado nos registos rochosos.

Darwin, sabendo que o registo fóssil contém mudanças mais drásticas do que graduais, de uma espécie à outra, atribuiu esse fenómeno à existência de lacunas no registo sedimentar. Todavia, agora que os métodos isotópicos podem recriar um quadro histórico contínuo, pode então demonstrar-se que essas mudanças drásticas foram devidas não às lacunas no registo rochoso, mas ao facto de que as rápidas mudanças ocorridas no ambiente estimularam a evolução.

Durante os períodos de extinção ocorre a eliminação massiva de velhas espécies e uma maior redução populacional. 0 ambiente "esvazia-se" e muitos nichos ambientais tornam-se disponíveis. Os nichos vagos são "motores" da evolução de novas espécies. Assim, conclui Magaritz, é o ambiente o factor determinante na marcha da evolução.

in Jornal de Notícias, 26 de Junho de 1993

© CienTIC - José Salsa, 2003 - optimizado para 1024 x 768