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EVOLUCIONISMO
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| GALÁPAGOS AMEAÇADAS POR DERRAME DE COMBUSTÍVEL |
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Está a acontecer o que mais se temia ao largo das ilhas Galápagos, um paraíso de espécies endémicas, entre as quais as famosas galápagos - tartarugas gigantes, que deram o nome ao arquipélago. O navio "Jessica", que encalhou ao largo da ilha de São Cristobal, está desde sexta-feira a derramar combustível, e a situação parece estar a fugir ao controlo das autoridades. Resultado: uma mancha de mil quilómetros quadrados, animais afectados e mais uma ilha, Santa Fé, na mira da mancha de combustível. Ainda no fim-de-semana, as autoridades do Equador, ao qual pertencem as Galápagos, asseguravam que nenhuma espécie estava em perigo e que o derrame - "algumas manchas dispersas de combustível" - se encontrava controlado. Mas o estado do tempo, até aí calmo, traiu as operações, piorando, e o combustível já afectou uma área de mil quilómetros quadrados. As equipas de salvação, dos serviços do Parque Nacional das Galápagos e da Estação de Investigação Charles Darwin, já não têm mãos a medir para socorrer as aves contaminadas e outras espécies animais. Já se fala mesmo em problemas para a actividade pesqueira: "Estamos perante um grave problema ambiental", reconheceu ontem Rodolfo Rendon, ministro do Ambiente do Equador, citado pela BBC Online. O "Jessica" transportava 900 mil litros de combustível, quando encalhou, há uma semana, num banco de areia a 800 metros da ilha de São Cristobal. Na sexta-feira, os rombos no casco, devidos ao acidente, começaram, inevitavelmente, a deixar escapar algum do combustível. Mas foi quando o mar começou a tornar-se mais agitado que todas as equipas no terreno começaram a ver que o desastre ecológico era inevitável. Até ontem as autoridades falavam de, pelo menos, um leão-marinho e inúmeras aves apanhadas pelo derrame, entre as quais pelicanos e albatrozes, que apenas se reproduzem nas Galápagos. As populações locais vão lavando as aves, mal são apanhadas nas praias, tentando contribuir para a salvação daquela que é uma das maiores fontes de riqueza do Equador, devido ao turismo que ali aflui. As operações de limpeza tornam-se ainda mais difíceis, uma vez que os solventes químicos usados na eliminação dos combustíveis derramados neste tipo de acidentes não são permitidos no muito frágil ecossistema dos mares das Galápagos, reconhecidas como património mundial pela UNESCO em 1978. As associações ambientalistas já tinham advertido para o perigo da intensa actividade pesqueira no arquipélago, que poderia originar um acidente deste tipo a qualquer altura. As 13 ilhas, 17 ilhéus e 47 recifes que formam o arquipélago das Galápagos, de origem vulcânica, em pleno Pacífico, abrigam dez mil tartarugas-gigantes, 60 mil leões-marinhos, uma grande população de iguanas-marinhas e de albatrozes, aves cuja envergadura de asas chega a atingir três metros. Os especialistas afirma que 40 por cento das espécies animais e vegetais do arquipélago são endémicas, isto é, só existem neste recanto do mundo que, em 1835, recebeu a visita do naturalista Charles Darwin, servindo de base para os seus estudos da evolução das espécies no meio daquela imensa biodiversidade. in Público, 23 de Janeiro de 2001 |
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