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EVOLUCIONISMO
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| ICTYOSTEGA ERA MAIS PEIXE DO QUE ANIMAL TERRESTRE |
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O ictyostega, o estranho quadrúpede considerado durante décadas uma testemunha crucial da saída dos vertebrados da água há 360 milhões de anos, estava mais adaptado à vida aquática do que se acreditava, segundo os recentes estudos de uma equipa de paleontólogos ingleses e americanos publicados na edição da revista científica britânica Nature publicada hoje. Jennifer Clack, do Museu de Zoologia da Universidade de Cambridge, e seus colegas baseiam suas conclusões no exame do ouvido interno deste tetrápodo primitivo, cujo primeiro exemplar foi descoberto em 1932, em um sítio geológico do Leste da Groenlândia que remonta ao período Davónico Superior. Este animal, com pouco menos de um metro de comprimento, permitiu a elaboração de hipóteses sobre a evolução dos vertebrados quadrúpedes terrestres a partir dos peixes com aletas carnosas, que se transformaram gradualmente em patas. O ictyostega já possuía quatro patas com três articulações (anca, joelho e tornozelo), aptas para permitir o deslocamento em terra firme, mas tinha, ao mesmo tempo, características de peixe (aleta caudal e escamas). Ao auscultar, mediante uma tomografia digital, os restos do crânio do ictyostega encontrado em 1998, a equipe da dra. Jennifer Clack descobriu particularidades anatómicas inéditas no seu ouvido interno, que apresentam, no entanto, analogias com os peixes atuais. Os cientistas deduziram que estes quadrúpedes deviam ouvir bem sob a água graças a uma borbulha de ar presa numa cavidade, um sistema similar ao dos actuais peixes. Nestes últimos, o ruído é percebido por intermédio de vibrações de uma bexiga cheia de gás transmitidas ao ouvido por intermédio de uma cadeia de pequenos ossos. O ictyostega tinha, pois, uma fisiologia de animal aquático. Esta descoberta encerra um capítulo da história dos tetrápodes ao demonstrar que os primeiros quadrúpedes formavam uma família muito menos homogénea do que se supunha até agora. E, ao mesmo tempo, situa o ictyostega nessa família da qual, por causa de sua morfologia original, foi excluído, de acordo com as últimas tendências, por ser considerado um ramo morto na árvore da evolução. in Terra, 3 de Setembro de 2003 |
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