EVOLUCIONISMO

HERANÇA DE DARWIN TEM NOVA CASA EM LONDRES


Material recolhido pelo pai do evolucionismo e por outros exploradores é exposto num novo edifício do Museu de História Natural de Londres

Nada mais nada menos que 22 milhões de exemplares de animais, documentos e objectos da história natural universal estão disponíveis para serem visitadas desde ontem, em Londres, no Novo Centro de Darwin do Museu de História Natural da capital britânica. O projecto, que custará 151,6 milhões de euros, ainda vai na primeira fase de desenvolvimento, que inclui material recolhido ao longo dos séculos por James Cook, Charles Darwin ou Hans Sloane. Em 2007, será a vez de abrir a segunda fase da exposição, que conta com mais 28 milhões de insectos e seis milhões de plantas.

Lagartos em frascos de álcool, recolhidos por Charles Darwin durante a sua viagem no "Beagle", o navio que o levou a descobrir a biologia do mundo, peixes classificados pela primeira vez pelo capitão James Cook, a bordo do navio "Endeavour", no século XVIII, mas também um peixe-espada e um barracuda recolhidos no ano passado na costa de Bristol, Sul de Inglaterra, estão disponíveis, desde ontem, no novo Centro de Darwin.

A acompanhar os visitantes está uma equipa de uma centena de investigadores, que saltam dos bastidores do museu e podem ser vistos a trabalhar à vista de todos. "Isto não é só uma exposição. É um edifício de trabalho cheio de cientistas e cheio de colecções. Achámos que era essencial deixar os visitantes ver o que fazemos e explicar a importância do nosso trabalho", defende Phil Rainbow, conservador da zoologia do museu, citado pela BBC Online.

Na exposição, totalmente gratuita, tal como já o era a entrada no Museu de História Natural, podem ainda visitar-se, em grupos limitados, tanques de álcool onde "nadam" um atum gigante, um tubarão, um dragão de Komodo, tartarugas e gigantes e ainda um celacanto.

"Este projecto será de extrema importância para o Museu de História Natural, que já goza de reputação mundial pela investigação científica e exposições de divulgação, de alto nível, que tem vindo a desenvolver", disse o primeiro-ministro britânico Tony Blair, numa nota anexa ao comunicado de imprensa sobre a inauguração do Centro de Darwin.

A colecção agora exposta no novo edifício contíguo ao Museu de História Natural de Londres faz há largos anos parte da enorme colecção daquela instituição. Mas até ontem o espaço disponível e a falta de estudo das peças apenas deixavam ver um por cento do espólio do museu. Agora, conseguiu-se realizar o sonho antigo de trazer à luz do dia essa infindável colecção, escondida durante décadas.

"O edifício antigo [que existe no mesmo sítio desde 1882] estava sobrelotado de material e as más condições no controlo da temperatura e humidade tornavam a colecção de animais conservados em álcool uma bomba-relógio", conta Phil Rainbow. "Neste novo edifício, construído com tecnologia de ponta, os animais serão conservados em excelentes condições", acrescenta.

O novo edifício, de dez mil metros quadrados, foi concebido pelo arquitecto Guy Comely. Comely trabalha para a HOK International, uma empresa especializada em projectos de edifícios novos que têm de conviver harmoniosamente ao lado de edifícios históricos, como é o belo edifício Waterhouse, sede do Museu de História Natural, construído no século XIX por Alfred Waterhouse, inspirado no estilo românico.

Sandy Knapp, bióloga do museu, confessou mesmo à BBC Online que o próprio Darwin ficaria orgulhoso deste centro novo: "É nossa obrigação assegurar a preservação destes exemplares do mundo animal para as futuras gerações de cientistas. O Centro de Darwin oferece-nos as condições ideais para cumprir essa tarefa, algo que não estava assegurado antes."


A Colecção em Números

22 milhões
São animais em exposição na primeira fase de construção do Centro de Darwin.

2,5 milhões
São os peixes que integram a colecção do centro. Os frascos que conservam estes peixes ocupam 4,5 quilómetros de prateleiras.

450 mil
São os frascos que integram a colecção de animais conservados em álcool. O mais pequeno cabe na palma de uma mão e o maior tem mais de um metro e meio.

53.285
São os exemplares que o Museu de História Natural emprestou a outros museus e instituições mundiais nos últimos dois anos.

9016
São os cientistas internacionais que foram a Londres trabalhar com as equipas de investigação e colecções do museu, nos últimos dois anos.

3500
São as vitrinas que formam a exposição.

200
São os anos que levou a reunir toda esta colecção.

170 mil
São os animais da colecção, conservados em álcool, que serviram de padrão para a classificação de outros exemplares.

100
São os projectos de investigação que estão actualmente em desenvolvimento no museu.

7
São os pavilhões que formam o Centro de Darwin

in Público, 1 de Outubro de 2002

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