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EVOLUCIONISMO
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| AS ILHAS DE DARWIN |
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Nada, sobre a terra, resiste demasiado tempo sem que uma qualquer forma de vida venha aí tentar a sua sorte, inventando extraordinárias adaptações para sobreviver mesmo onde tudo é inóspito. E assim deve ter sido no início quando, há uns nove milhões de anos (uma ninharia em termos da história da Terra se pensarmos que só desde o desaparecimento dos dinossauros já se escoaram 65 milhões de anos), as Galápagos emergiram do fundo dos oceanos. Ilhas vulcânicas, tiveram origem num fogo profundíssimo. É que, sob as placas tectónicas que formam a crusta terrestre, no interior quente do planeta, formam-se por vezes pontos ainda mais quentes que têm como tradução à superfície vulcões. Essas "fogueiras internas" são fixas e, quando as placas superficiais se deslocam, vão criando um rasto de vulcões de idade decrescente. É assim nos Galápagos, onde as ilhas mais velhas, a oriente, se estão a afundar no oceano e novas ilhas podem estar a surgir, mais a ocidente, emergindo do fundo do mar. Como isto tudo se passa no meio do Oceano, a mais de mil quilómetros da costa equatoriana, não surpreende que o jovem naturalista que viajava a bordo do Beagle - um tal Charles Darwin - tenha, quando aqui chegou em 1835, escrito no seu diário: "Somos levados a crer, quando vemos cada colina coroada pela sua cratera e os limites de cada escorrência de lava ainda perfeitamente delimitados, que numa época geologicamente recente, o oceano ainda se estendia onde hoje surgem estas ilhas. Por isso, no tempo e no espaço, encontramo-nos face a face com um grande facto, esse mistério dos mistérios, a primeira aparição de novos seres sobre o planeta". Darwin ficou de tal forma impressionado pelo que viu e estudou nestas ilhas que acabaria por basear muita da argumentação para a construção da sua teoria da evolução das espécies precisamente nas observações desta sua viagem. E compreende-se porquê: mesmo hoje, mais de século e meio passado, é possível perceber até que ponto estas ilhas funcionaram e funcionam como laboratório da evolução. Quando nasceram do meio do oceano, na sequência de erupções vulcânicas, as Galápagos eram naturalmente desertas. Mas por pouco tempo. As correntes marinhas não tardaram a arrastar sementes de plantas ou ovos de pequenos seres. Aves houve que, no seu movimento de migração ou perdido o rumo, aqui arribaram. E como, naturalmente, os primeiros colonizadores eram em pequeno número, a possibilidade de ligeiras adaptações e variações se transformarem rapidamente em maiores diferenciações tornou possível uma evolução e especiação rápida, um processo difícil quando se vive no seio de comunidades numerosas onde as pequenas diferenças tendem a ser abafadas e a desaparecer. Assim surgiram, por exemplo, as conhecidas diferenças entre as subespécies de tartaruga dos Galápagos - um nome de baptismo para este arquipélago que tem origem, precisamente, no termo espanhol para tartarugas. O tamanho do pescoço e a forma da carapaça, por exemplo, variam em função da altura da vegetação. O famosos tentilhões de Darwin, por seu turno, têm todos uma origem comum mas apresentam bicos radicalmente diferentes conforme se alimentam de frutos, de flores, de sementes duras ou de pequenos insectos. Apesar da sua breve estadia nestas ilhas, o fundador da teoria da selecção natural apercebeu-se destas pequenas variações e foi capaz de discernir o essencial: que tal variabilidade derivava da adaptação diferenciada às diferentes condições naturais de cada ilha. in Público, 24 de Janeiro de 2001 |
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