|
EVOLUCIONISMO
|
| A VIAGEM QUE MUDOU O HOMEM |
![]() |
|||||
|
Charles Darwin nasceu em Shrewsbury, em Inglaterra, a 12 de Fevereiro de 1809, numa família de industriais e cientistas ligados à Revolução Industrial. Depois de uma passagem pela Faculdade de Medicina de Edimburgo, onde se aborrecia com as matérias, Darwin seguiu para Cambridge, para se tornar num homem da Igreja. Durante três anos, sob a direcção do botânico John Henslow e do geólogo Adam Sedgwick, adquiriu sólidas bases em ciências da natureza. A oportunidade da sua vida surgiu graças a esses conhecimentos. Em 1831, o capitão Fitz Roy foi encarregado de fazer a volta ao mundo, com a missão de efectuar um reconhecimento cartográfico das costas da América do Sul. Para que a viagem não fosse tão solitária, Fitz Roy procurou alguém versado em Ciências da Natureza. Foi assim que Darwin embarcou no "Beagle", em Dezembro de 1831 e só regressou a Inglaterra cinco anos depois. Essa foi a única grande viagem da sua vida, em que passou pelas ilhas Galápagos. Voltou para casa, com exemplares de animais e plantas, que recolheu ainda com base numa perspectiva criacionista. Só alguns meses após o regresso se tornou evolucionista: duvidou, assim, da criação de cada espécie num momento único, quando se apercebeu que dentro de uma mesma espécie de animais das Galápagos havia inúmeras variações ditadas pelo isolamento das ilhas. "Darwin foi genial", diz o biólogo José de Almeida Fernandes. "A ideia fundamental de Darwin, e que se manteve, é que todas as espécies descenderam de outras espécies. A criação não aconteceu num momento só, mas houve uma evolução do mais simples para o mais complexo." Durante 20 anos, Darwin constrói a teoria da evolução, até que em 1859 publicou o livro "A Origem das Espécies". O resultado foi uma profunda revolução científica: a atitude do homem sobre a questão das suas origem e natureza modificou-se por completo. O homem passou a ser considerado um mero acidente da natureza, como todas as outras espécies, e deixou de ser o centro da criação divina. Os criacionistas, agarrados à interpretação literal do Génesis, dizem do evolucionismo que é apenas uma teoria, que não está provada. "Ao contrário do que acontece com outras teorias científicas, não se pode planear uma experiência crítica para a testar", diz Jorge Marques da Silva, biólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. "O trabalho de prova é detectivesco, de busca de fósseis e de relações anatómicas entre os organismos vivos. Mas é a melhor teoria que temos. Ignorá-la é tirar o tapete a toda a biologia", conclui. "Uma teoria é uma hipótese mais ou menos credível, que tem de ser demonstrada", acrescenta José de Almeida Fernandes. Na teoria da evolução, as dificuldades são acrescidas porque entra o factor tempo: "Não se pode fazer o tempo andar para trás". Ainda assim, longe deveriam ir os tempos em que James Ussher, arcebispo de Armagh e primaz de toda a Irlanda (1581/1656), estabeleceu com uma precisão invejável o momento preciso da criação do mundo, com base no Génesis: 23 de Outubro do ano 4004 a.C., ao meio-dia. in Público, 29 de Agosto de 1999 |
||||||
|
|
© CienTIC - José Salsa, 2003 - optimizado para 1024 x 768 |