E-Portefólios em Ciências

Não é novidade para ninguém o facto da Internet constituir uma fonte quase inesgotável de informação à distância de um clique. E adivinha-se o potencial educativo de tal recurso embora haja, ainda, um longo caminho a percorrer até ao correcto enquadramento da utilização da Internet em meio escolar.

Como é mais ou menos consensual, o paradigma do internauta navegador e consumidor de informação está ultrapassado. O mesmo raciocínio é aplicável aos alunos que utilizam, ou tentam utilizar, a Internet como suporte das aprendizagens. Defendo que, actualmente, as competências necessárias para publicar na Internet devem fazer parte da formação pessoal do aluno e é com base neste princípio que tenho tentado, nos últimos anos, que cada um dos meus alunos adquira essas mesmas competências num contexto de aprendizagem, no âmbito das disciplinas que lecciono.

O resultado do trabalho desenvolvido em 2007/2008, com alunos da Escola Secundária de Fafe, pode ser consultado em http://bio12esfafe.blogspot.com. A partir daqui existem ligações para os e-portefólios dos diferentes alunos. No entanto, não encaro este trabalho como um fim mas, antes, como um meio auxiliar do aluno no desenvolvimento das suas competências e conhecimentos ao longo do ano lectivo. Nas linhas seguintes abordam-se alguns aspectos relacionados com a realização de e-portefólios de aprendizagem, no âmbito de uma disciplina...


1. Que aspectos devem ser tidos em conta, pelo professor, em ambiente de sala de aula?

  • Discutir as vantagens de uma reflexão e auto-avaliação sobre o trabalho desenvolvido;
  • Apresentar aos alunos a necessidade de uma constante actualização do conhecimento em Ciências;
  • Discutir as vantagens da partilha de informação;
  • Sugerir a criação de um e-portefólio como um meio para tal fim;
  • Definir a metodologia de trabalho;
  • Estabelecer regras e critérios claros de avaliação;
  • Explicar os procedimentos básicos para criar um e-portefólio;
  • Alertar para os cuidados na linguagem, na estética e salvaguarda dos direitos de autor;
  • Acautelar dificuldades individuais na concretização;
  • Incentivar regularmente à colocação de conteúdos no e-portefólio.

2. Que aspectos devem ser considerados no trabalho extra-aula?

  • Criar um blogue central, do professor, com sugestões, informações úteis, e ligações para recursos e para os e-portefólios dos alunos;
  • Visitar regularmente os e-portefólios dos alunos e, eventualmente, deixar comentários;
  • Avaliar os e-portefólios com base nos critérios estabelecidos;
  • Dar a conhecer aos alunos a avaliação efectuada;
  • Ajudar a resolver problemas. 

3. Que dados podem ser incluídos no e-portefólio? 

  • Pequena apresentação do autor (perfil).
  • Opiniões sobre os temas em estudo nas aulas.
  • Reflexões sobre notícias, que devem ser resumidas, recolhidas na comunicação social, preferencialmente alusivas a temas em estudo nas aulas (referir sempre a fonte da informação).
  • Sínteses de trabalhos realizados nas aulas ou em casa.
  • Experiências realizadas nas aulas práticas.
  • Relatos sobre visitas de estudo ou aulas de campo.
  • Glossário de termos científicos.
  • Sugestões de websites ou outras fontes informativas interessantes.
  • Reflexões sobre os seus resultados escolares no âmbito da disciplina de Biologia.
  • Outros.

4. Quais são os critérios de avaliação do portefólio? 

  • Adequação do conteúdo aos objectivos do portefólio.
  • Quantidade e qualidade da informação publicada.
  • Organização geral do portefólio.
  • Existência de informação reflexiva da sua autoria.
  • Indicação das fontes de informação.
  • Regularidade de publicação ao longo do tempo.
  • Ligações para outros portefólios e páginas web relacionadas.
  • Registo, quantidade e qualidade dos comentários realizados aos portefólios dos colegas.
  • Autonomia e responsabilidade demonstradas.
  • Apresentação do portefólio à turma no final do ano. 

5. Em que formato é desenvolvido o e-portefólio? 

Pode ser desenvolvido com recurso a diferentes suportes e formatos. Neste caso, optou-se pelo blogue, criado por cada um dos alunos em
www.blogger.com. Com este trabalho, cada aluno aprende a produzir e publicar (mais do que a consumir) informação na Internet, algo considerado essencial na sua formação geral. 

6. Com que regularidade devem os alunos actualizar o portefólio? 

Fica ao critério de cada um, sendo que este é um dos critérios de avaliação. No entanto, não é necessário, nem pode ser exigido, um trabalho exaustivo. O portefólio não pode, nem deve, desviar o aluno de outras tarefas mais prioritárias. Mas como é um trabalho progressivo, ao longo do ano lectivo, pode ser viável e trazer vantagens para a aprendizagem do aluno. 

7. O aluno tem de ter Internet em casa para fazer o portefólio? 

Não. Pode desenvolver esse trabalho na escola ou noutro local público com acesso à Internet (juntas de freguesia, biblioteca municipal, etc.). Algum do trabalho poderá ser desenvolvido durante as aulas e articulado entre diferentes disciplinas. 

8. Aspectos positivos

  • Contexto apelativo ao desenvolvimento de competências diversificadas pelos alunos, nomeadamente no que se refere à utilização de recursos TIC;
  • Incremento do gosto pela disciplina e pelo conhecimento científico;
  • Desenvolvimento do espírito crítico em relação a si e em relação aos outros;
  • Transparência das actividades escolares para a comunidade;
  • Fonte diversificada de informação actual e complementar sobre as matérias em leccionação.

9. Aspectos negativos

  • Risco de sobrevalorização, pelo professor e pelos autores, do e-portefólio em relação a outras actividades;
  • Exige um trabalho e dispêndio de tempo que podem ser consideráveis, tanto aos alunos como ao professor;
  • Envolve alguns riscos sobretudo quando acessível na Internet;
  • Pode realçar assimetrias entre os alunos no que se refere ao acesso ás tecnologias e ás competências na sua utilização.

10. Onde obter mais informação sobre portefólios?

  • Barrett.H. (2005). The Reflect Iniciative. White Paper. Reseaching Electronic Portfolios and Learner Engagement. Retirado de http://electronicportfolios.org/reflect/whitepaper.pdf
  • Barrett, H. (2006 ). Using Electronic Portfolios for Classroom Assessment [Electronic Version]. Connected Newsletter, 13, 4-6. Retirado de http://electronicportfolios.com/portfolios/ConnectedNewsletter-final.pdf.
  • Paulson, F.L., & Paulson, P.R. & Meyer, C.A. (1991). What Makes a Portfolio a Portfolio? Educational Leadership.
  • Santos, L. (2002). Auto-avaliação regulada: porquê, o quê e como? In P. Abrantes e F. Araújo (Orgs.), Avaliação das Aprendizagens. Das concepções às práticas. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento do Ensino Básico, 75 – 84. Retirado de http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/msantos/textos/DEBfinal.pdf
  • Silvério, C. (2006). Portfolios na disciplina de Ciências Naturais no 3.º ciclo do ensino básico. Um estudo de investigação-acção. Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Geociências, especialidade em Ensino de Ciências Naturais (Ciências da Terra),Universidade de Coimbra.
  • Vilas Boas, B. (2005). O portfólio no curso de pedagogia: Ampliando o diálogo entre professor e aluno. Retirado de http://www.scielo.br.pdf
(Bibliografia sugerida por Centro de Competência em TIC da Escola Superior de Educação de Santarém)

 

 

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